0

La Palice

Posted by Antonio on domingo, agosto 31, 2008 in ,
EU Habituo-me. Reinvento-me. Readapto-me. Ao destino agradam as repetições, as variantes e as simetrias. Renuncio à pimenta e à cebola: Há sempre um segundo que antecede os momentos importantes. E dura sempre menos do que isso, especialmente quando revisto no futuro porque os grandes acontecimentos deixam sempre uma marca, uma crosta maior do que eles próprios. Só que isso só lhes dá a importância que eles têem.

0
Posted by Antonio on sábado, agosto 30, 2008 in
Era o tempo da palavra saída do estômago. O intervalo a trepar na folha o gosto do relâmpago. Enternecido o destino na humanidade na luz. E nós: Variante nossa (só nossa) a pasmar no branco do banco um estilhaço de sonho na camisola do vento. Esta é uma casa qualquer onde o instante é um espelho de ânsia a misturar os olhos.

0

Cartas da Guerra

Posted by Antonio on quinta-feira, agosto 28, 2008
«(...) Porque a família é, como dizer ? Uma espécie de coisa ao pé da qual gosto de estar em silêncio. Não sei se já reparaste que quase nunca ouvem o que dizemos, nem lhes interessa: em virtude do demasiado amor que nos têm escutam apenas o som da nossa voz e comovem-se com a música, como diante de um blábá infantil. Ainda não abrimos a boca e já estão a sorrir enternecidos uns para os outros, porque eles, para eles, são adultos e contribuintes, e nós, para eles, continuamos irremediavelmente a ser crianças – e talvez ainda bem (…)»
Ele: António (Lobo Antunes) em "Cartas da Guerra"

0

Falemos De Casas

Posted by Antonio on terça-feira, agosto 26, 2008 in ,

Falemos de casas. Do sagaz exercício de um poder tão firme e silencioso como só houve no tempo mais antigo. Estes são os arquitectos, aqueles que vão morrer, sorrindo com ironia e doçura no fundo de um alto segredo que os restitui à alma. De doces mãos irreprimíveis. Sobre os meses, sonhando nas últimas chuvas, as casas encontram o seu inocente jeito de durar contra a boca subtil rodeada em cima pela treva das palavras. Estas são as casas. A nossa casa. E se vamos morrer nós mesmos, espantamos-nos um pouco, e muito, com tais arquitectos que não viram as torrentes infindáveis das rosas, ou as águas permanentes, ou um sinal de eternidade espalhado nos corações rápidos e vazios. Que fizeram estes arquitectos destas casas ? Eles que vagabundearam pelos muitos sentidos dos meses, dizendo: aqui fica uma casa, aqui outra, aqui outra, para que se faça uma ordem, uma duração, um sentido , uma beleza contra a força divina? Falemos de casas como quem fala da sua alma, entre um incêndio, junto ao modelo das searas, na aprendizagem da paciência e da vontade. Do desejo. Do desejo de querer vê-las erguer e elevarem-se aos céus e morrer com um pouco, um pouco de beleza. De sentido.

0

E Tudo Segue: Tempo é Saudade

Posted by Antonio on segunda-feira, agosto 25, 2008 in
Tombo-me com os ponteiros do relógio, á espera de dias vindouros. Temos um talento doloroso e obscuro. Segredo baixinho: Construi­mos um lugar de silêncios.

0
Posted by Antonio on domingo, agosto 24, 2008 in
Entornei-me de nudez e dei-te o flanco ás costas da pele e roubei-te o livro onde rasgavas memórias suspensas no escuro da minha solidão e trouxe-te suspensa no meu peito: E quando a noite amanheceu nos teus cabelos naveguei-te.Com a força do gesto fundo. Dancei contigo no pino das marés.Fui-te um silêncio.De ferro.E sol.E pó. De ouro. Floresces-me de nudez. Mesmo depois da vida. Sobretudo. Depois da vida.

0
Posted by Antonio on sexta-feira, agosto 22, 2008 in ,

Copyright © 2009 Quase Todos Os Sentidos All rights reserved. Theme by Laptop Geek. | Bloggerized by FalconHive.