Voltemos A Escola
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quarta-feira, dezembro 24, 2008
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Eu Sou
Claro como agua:
Tolerância: "Do latim tolerantia, constância a suportar, resistência; paciência". E de uma pessoa tolerante, diz-se que é alguém que suporta e que resiste. O verbo tolerar vem do latim tolerare, que significa levar, suportar um peso, um fardo, aguentar, sofrer, persistir, suster, manter e resistir.
Tolerância: "Do latim tolerantia, constância a suportar, resistência; paciência". E de uma pessoa tolerante, diz-se que é alguém que suporta e que resiste. O verbo tolerar vem do latim tolerare, que significa levar, suportar um peso, um fardo, aguentar, sofrer, persistir, suster, manter e resistir.
Ser tolerante implica que se aceite que os outros pensem de maneira diferente de nós, sem por isso os odiarmos. Podemos ser tolerantes dentro do mesmo grupo, por exemplo, face aos pequenos defeitos e diferenças de carácter; ser tolerantes face aos que não pertencem ao nosso grupo; e tolerar as convicções e crenças dos outros que sejam diferentes das nossas.
Respeito: Tomar em consideração e preocupar-se com. Vem do latim respectare, que significa olhar para trás e estar à espera. É uma atitude que consiste em não prejudicar alguém ou uma coisa.
Quer isto dizer que tolerar não é amar, nem tão pouco, apreciar. Tolera-se aquilo de que não se gosta, mas que se é obrigado a aceitar e, na melhor das hipóteses, a compreender, para evitar o conflito e a violência. Estamos perante um valor necessário e importante, mas muito insuficiente.
Respeito: Tomar em consideração e preocupar-se com. Vem do latim respectare, que significa olhar para trás e estar à espera. É uma atitude que consiste em não prejudicar alguém ou uma coisa.
Quer isto dizer que tolerar não é amar, nem tão pouco, apreciar. Tolera-se aquilo de que não se gosta, mas que se é obrigado a aceitar e, na melhor das hipóteses, a compreender, para evitar o conflito e a violência. Estamos perante um valor necessário e importante, mas muito insuficiente.
Seria um valor suficiente, caso a nossa vida ética se limitasse ao cumprimento dos deveres, ao respeito pelos contratos e ao respeito pela regra de ouro, ou seja, da máxima "não faças aos outros o que não queres que te façam a ti".
A tolerância é um valor estruturante do campo social da ética, ou seja do processo de ordenação e de hierarquização dos valores que norteiam o nosso relacionamento com os outros, com os grupos e com a sociedade. Não é, no entanto, um valor estruturante do campo pessoal da ética, ou seja, do processo de hierarquização dos valores que norteiam e ordenam as prioridades da nossa vida.
Comparada com o respeito, a tolerância não passa de uma valor de resistência, o qual não pode deixar de ocupar uma posição subordinada ao respeito. Ou seja, embora o respeito implique um uso equilibrado, isto é sem excesso e sem defeito, da tolerância, com o respeito estamos perante um valor activo, profundamente abrangente, estruturante tanto do campo pessoal como do campo social da ética e mobilizador de uma ética máxima norteada pela finalidade culminante do amor.
A tolerância obriga a respeitar a regra de ouro: "não faças aos outros o que não queres que te façam a ti". Neste sentido, estamos perante uma ética do dever, deontológica portanto, que se limita a evitar fazer mal aos outros. Trata-se de uma polaridade meramente passiva.
O respeito, ao invés da tolerância, carrega uma polaridade activa, marcada pela preocupação com os outros e na qual vem impressa a indelével marca do amor. Neste caso, a máxima "abstém-te de fazer mal os outros" não é suficiente, porque ela é governada pela passividade. Ora, o respeito é governado pela actividade e é, por isso, que a máxima que melhor se lhe aplica é "ama o próximo como a ti mesmo".
O respeito, ao invés da tolerância, carrega uma polaridade activa, marcada pela preocupação com os outros e na qual vem impressa a indelével marca do amor. Neste caso, a máxima "abstém-te de fazer mal os outros" não é suficiente, porque ela é governada pela passividade. Ora, o respeito é governado pela actividade e é, por isso, que a máxima que melhor se lhe aplica é "ama o próximo como a ti mesmo".
É, por isso, que o respeito constitui uma virtude estruturante de uma ética do amor e da benevolência, de uma ética marcada pela mensagem e pela palavra de Jesus Cristo. O respeito é, portanto, uma virtude intermédia na longa e difícil travessia em direcção ao cume da vida ética: o amor.
Faz-se Pagar Cara
Queria dizer que te amo como quem escreve uma notícia. Que. Te. Amo. Concisa e telegraficamente, como um óbito de pé de página, uma errata que pedisse desculpa, onde se lê deve ler-se, ou os resultados do totoloto. Queria contar a nossa história em duas linhas ou três, sem descrições polissilábicas ou excessos adverbiais; sem modo, lugar nem quando (até porque o nós somos só eu. Desculpa-me. Exagero. Sempre sem sair do lugar). Umas vírgulas, um ponto final e nada de exclamações, pois nunca o meu amor alguma vez te surpreendeu. Queria despachar-nos em três penadas, nuns rabiscos, num rascunho, com o traço grosso e grosseiro e, com o mínimo indispensável, subentender-te o sujeito, sem complementos nem predicados. Queria dizer que te amo sob a forma de uma ressalva, uma nota de rodapé, uma remissão para o índice ou uma nota do tradutor. E centrifugar as palavras, que são as muletas linguísticas que me amparam o sentimento, espremendo-lhes a adjectivação, os floreados e as figuras de estilo. Queria dizer que te amo e fazer, a propósito e quanto muito, analogias simples com elementos campestres, belos e unívocos, aligeirando assim o peso lexical que carrego e que disfarça o facto de a dor não carecer de outra explicação que o não te poder tocar. A dor traduz-se em poucas palavras e às vezes em nenhuma: quando se basta com um suspiro, com uns olhos que vagueiam por cima das coisas, mareando, ou com um nó górdio à boca do estômago. Mas a minha, como um herói do futebol moderno ou uma cantora pimba, é fiteira, chorona e queixinhas, enfeita-se com brilhos de mau gosto, gosta de dar nas vistas e faz-se pagar cara.
Fluidez
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segunda-feira, dezembro 08, 2008
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Dos Botões
A forma do mundo depende do estado da nossa alma. A uma alma opaca o mundo aparece, e é, opaco; a uma alma subtil o mundo aparece, e é, subtil; a uma alma transparente o mundo aparece e é transparente. Para a alma do materialista ou hílico só há matéria e nem necessita de provas porque é assim que, com toda a evidência, o vê. Com toda a evidência. Para a alma do espiritualista ou pneumético o mundo é espírito e, pela mesma razão, nem necessita de provas. O mundo é apenas na relação; faz-se apenas na relação. À sua própria medida. Ninguém sabe o que é o mundo ali onde não há relação. Assim, à luz da alma de um homem, o mundo é o que é a alma do homem. Só quem tem a certeza disto é que pode compreender o que seja a fluidez do mundo - que é sempre na proporção da fluidez da alma. Da minha Alma.
Se Eu Fosse Um Livro
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sexta-feira, novembro 28, 2008
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Dos Botões
Sentavas-te comigo à mesa de um café e, enquanto escolhias um chá de menta, resvalavas devagarinho os teus dedos sobre a minha contracapa. O empregado, curioso, a espreitar-me a lombada, enquanto te trazia uma torrada com manteiga e doce de morango. Abrias-me, mergulhavas o nariz dentro do papel e durante muito tempo esquecias-te dos semáforos da avenida, do barulho das colheres contra as chávenas, das buzinas, da gaveta ruidosa da máquina registadora, dos doces com creme e chocolate e das mulheres fumadoras enroladas no fumo e no frio, lá fora. Pousavas os dedos em cada página, que viravas depressa, com força, à procura da palavra seguinte. Mais tarde, deixavas-me em cima da mesa e eu, já numa prateleira fria com cheiro a canela, esperava - as marcas dos teus dedos no canto dobrado da página 179. Dias depois vinhas procurar-me, mas ninguém sabia nada de mim.
Mulher Definitiva
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quinta-feira, novembro 20, 2008
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Do Teu Coração
Até aqui menti cada vez que disse de verdade és a mais linda do mundo (umas vezes mais do que outras é certo). Sempre fui um homem com sorte, mas isto é ridículo. Pensava que a minha vida estava fechada no que a revoluções diz respeito. Que a idade e as oportunidades que me foram reservadas concluíssem o ramalhete de convulsões a que tinha direito. Mas não. Agora tu, que repetes coisas que já ouvi mas que parecem novas, tal é a lonjura a que estás de toda a normalidade. Ter-te é como ter filhos, depois disto pode morrer-se de barriga cheia, com um sorriso de tanta superioridade que não poupará ninguém à inveja. Apaixonares-te por mim é quase uma irresponsabilidade porque, entre outras coisas, és a mulher definitiva.
Estarei a sonhar ?
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quarta-feira, novembro 19, 2008
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Dos Botões
Não sei porquê, [ é mentira, sei mas não te digo!] insisto em telefonar, em deixar o telefone tocar-te indefinidamente. A ver se me atendes, quando e se me atendes, se me ligas, se me percebes naquele momento, se entendes que eu naquele preciso instante estou a erguer um viaduto fininho entre nós. Várias vezes ao dia, sempre para nada de especial, para nada de concreto [claro que sei porque te ligo, o que julgas?] apenas um Tudo bem? E ouvir, ouvir o teu Tudo e os carros, o vento nas árvores… Estás na rua? Sim, vim aqui fazer uma coisa [Aqui onde? Que coisa?] Ah, bom, então nada, não queria nada de especial… e desligo devagarinho, de mansinho, depois de um Então adeus sumido, parecendo não te querer tocar, como para que não sintas a vontade que eu tinha de te escancarar porquês, de dinamitar todas as nossas pontes, de fazer ruir os túneis que nos escavei. Então adeus. Voltar a ligar umas horas adiante, voltar a construir um carreiro sinuoso só para te conseguir sentir de ouvido no auscultador, na minha boca [estarei a maçar-te?]. Logo eu, eu que só quando não ligo sou verdadeiro, quando não telefono, quando não dou notícias, quando me silencio sou verdadeiro. Desta vez não atendes, não estás para mim. Estarás para ti apenas. Alguém atende e pergunto por ti num tom que tento urgente porém, no vazio da tua ausência, não estou preparado para ter recados para deixar, Diga-lhe por favor que liguei. Diga-lhe também que sou uma parvo! Diga-lhe que voltarei a ligar, que voltarei a ser parvo como só eu sei ser, mas que… olhe diga-lhe apenas que liguei, isso, e que lhe voltarei a ligar mais tarde. Esqueça essa coisa da parvo. Não, espere! Diga-lhe que liguei, que voltarei a ligar e que até sei porque lhe ligo, mas que nunca lhe vou dizer. Não, não a si. Não lhe direi a ela, a ela entendeu?!... Sim, isso mesmo, a ela [esta parvo] e Muito obrigada. Já agora falei com?... Desliga. Olho muda para o telefone. Eu, que quando calo não consigo dizer mais nada que não a verdade. Ligo outra vez, chama, atendes. Posso ouvir?
Tenho Saudades Tuas
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quinta-feira, outubro 23, 2008
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Do Passado
"Só compreendemos a ausência ou a morte de um amigo no momento em que esperamos dele uma resposta e sentimos que ela não existirá mais; por isso, primeiramente evitamos interrogar para não ter de perceber esse silêncio; nós nos desviamos das regiões de nossa vida em que poderíamos encontrar esse nada, mas isso significa que nós as adivinhamos." Maurice Merleau-Ponty, Fenomenologia da Percepção
Nem Hora Nem Fado
Acredite-me, acredite-se, dê-se crédito, deposite-se, penhore-se no ourives da esquina, mas antes de lá ir, pinte tudo de purpurina, faça o gosto à tia preferida, oculte a verdade revelando-se alguém cheio de vontade, despreze o jade e finja ouro, venda casquinha: Coloque a cruz no formulário onde diz: "usadinho".Faça, desfaça, copie, picote, rasgue, rascunhe, dobre e amasse, trespasse e arrote, confirme e aborte, calque, decalque, rasure, imprima e deprima, goste, aposte, cosa, descosa, a renda proibida da sua esposa, ou até de uma prima, pintada a traços grossos de terebintina, e faça muito calor, faça chuva ou faça sol, rime, destine, atine duma vez, utilize haxixe, faça-se feliz, ofereça-se a flor que sempre quis, amor de pétala de liz, fique muito nervosinho e diga:”Como diz?”, Ouça, oiça, parta louça, a loiça, venda o oiro e a prata, tesoiro de lata, seja ouro e laca, e pinte-se de muitas cores, uma por cada um dos seus amores, de fantasia, de pechisbeque, não apenas as muletas e o aluquete, mas as algemas e a lataria, mais o garrote e torniquete, que esta corrida, a sugar-lhe a vida, bilhete de volta e ida, a piscar-lhe o olho num beco, a espiá-lo da janela, a rir-se dentro de casa, a fingir que não vive nela, a montar-lhe uma esparrela, uma esperinha junto ao portão, e o Sr. sem fato nem gravata, a fazer trapézio sem rede, Vê-de! Inclinem as retinas, espremam tangerinas, e prestem atenção à poça que ele derramou por essa moça, atenção que patinas, equilibrado e sem mãos, e sabe como? Metidos os pés pelas mãos, meta a moeda na ranhura, inflame um cometa de ternura, mas não cometa a bravura, de se apaixonar, assim sem mais menos, que vida já lhe foi dura e serviu-se duma urtiga, mãe gorda que castiga, e na mão engordurada antes estivesse uma espada, que a verdade é bem mais dura, é uma lacuna que perdura, cruza os dedos e jura, por Jesus, pelos pastorinhos, pelas ovelhas imaculadas (que também elas lhe pareceram sagradas na sua pose bucólica de repasto desinteressado que ainda hoje lhe causa espécime e manifesto desagrado) Saltem-se as ovelhas, volte-se à vaca fria, está mais gordo, quem diria, casado com uma espia, periscópio do quotidiano, estroboscópio de fulano, nem ao épico jumento do presépio interessa o obséquio perpetrado por sua dona, que ao vizinho ofereceu, tudo o que era seu, a dona, que lhe vendeu tudo o que deus lhe deu, voltemos à estaca zero, o embaraço que quero discutir é o amasso que se faz sentir à noite na respiração que lhe abranda ao ritmo da alergia ao gato, quero que saiba do x-acto perdido durante a cirurgia, que o seu médico bebia, e era um frustrado jogador de canasta, vendera a mãe numa subasta, ficou a perder, mas a seu ver, padece de cataratas, deixaram-lhe os olhos num lago, inquinado e pornográfico, de dor esparramada, sem ser possível camuflar nada, até esta ruga de expressão dos tempos em que se ria contribui para a orgia do empardecer do seu semblante, frase mui interessante, por todo o texto aplaudida, desde logo se percebe onde se deve fincar a sebe, hastear a bandeira seguir o curso da moedeira até chegar à plebe, real sentimento de desgraça rir muito e não ter graça, senão aquelas disparatadas, que servem de isco para as entradas, com as quais, confesse lá Sr. Dr., conquistou por variadas vezes ao amor, sempre com o seu jeito maroto, todas lhe caíram no goto, até que um dia, gordo e afrontado, deu por si nauseado com a manifesta ingenuidade de se sentir velho para a idade, erro crasso e entrevante pois o verdadeiro bom amante não evita ser amado. Que a vida não tem hora nem fado, mas ainda assim há quem chegue atrasado.
Tenho 5 Anos
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sexta-feira, setembro 19, 2008
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Dos Botões
Vejo-te naquela névoa baixinha que enfeita os sonhos que abrem alas ao espavento da madrugada. Trazes contigo toda a vontade do mundo, avanças sem medo, corres na minha direcção como a parte pirosa de um filme, em câmara lenta, e desaguas um sorriso longitudinal no ar quase parado. Projectas para trás o penteado fora de moda, enquanto eu vacilo, algures entre a alteridade do espectador e o envolvimento da personagem. De pé à tua espera. Carente. Orgulhoso. Parado. Não sei se triste se contente, porque não me vejo, apenas me percepciono. O dia, entretanto, a fazer-me olhinhos, namoradeiro, enquanto as persianas fechadas rangem com o calor súbito da manhã e se espreguiçam, alheias. Então, como num pesadelo de criança cuja mãe lhe foge, ultrapassas-me o olhar, expectante para com o que encontras para além de mim, por cima do ombro da minha vista. Eu a chamar-te e tu agora de costas, sempre de costas, como se me tivesses atravessado num espectro. Viro-me para trás, a tempo de te ver desaparecer as fraldas da camisola suada na esquina. Fico pregado ao chão.Imóvel. Perdido. Tenho cinco anos e pregado ao chão. A minha mãe, que não me ouve: o elevador que cai e nunca se despenha. O meu corpo num ângulo estranho, desafiando as leis da gravidade, e eu a torcer a garganta, a espremer um grito, um alinhavar de sons escondidos. Rebolo. Suspiro contigo pelo teu passado. Acordo e abençoo o dia, agradecido, aliviado: não por ter entretanto acordado, mas sim por tu não teres parado de insistir. Por não te teres ido embora.
Por Defeito e Por Feitio
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quinta-feira, setembro 18, 2008
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Dos Botões
Quando saíste, deixei de escrever. Quer dizer, escrever, escrevia, mas nada que me saísse das entranhas, então quietas como um bicho à escuta. Sabia que não lhes poderia mexer, às entranhas: sair-me-iam remoinhos de dor pela boca, às golfadas. Temi que a dor se infiltrasse ainda mais nas reentrâncias da própria dor, como se me comesse por dentro. Ter o que escrever, contradiria a minha vida de então, alimentada a restos de silêncios, a detritos de lembranças mudas. Costumavas chegar-me e, com um beijo distraído, soltavas as palavras que, aprisionadas nas minudências do meu dia, ansiavam por tal gesto: um gesto que lhes assegurasse a pertinência do amor. Depositado o beijo, e as palavras espreguiçavam-se, cinderelas despertas; respiravam, como um vinho velho depois de aberto. Não obstante a tendência que sempre tive para as calar fundo, por defeito e por feitio, trepavam-me, contrariavam-me, salmões subindo o rio na desova, e eu escrevia. Primorosa e conscienciosamente. Feliz, inventava histórias de amor com finais tristes e condoía-me. No fim, voltava para a cama e envolvia-te o ressonar com os braços mornos, confortado com a alteridade da ficção. Mas, aos poucos, a escrita deixou de me fluir fácil, predominante, eloquente, e passou a forçada, com hora certa, demarcada da escassez notória do beijo, cada vez menos distraído e mais compenetrado da sua condição de beijo. Por essa altura, já eu não dormia e caminhava por negras veredas, meio cego, perdido: um espectro dentro de um corpo, um sopro de vida, o reconhecimento apenas da fome. As palavras, deixei de as experimentar antes de as usar; de as provar, de lhes testar a síncope, pois tanto fazia, e, por fim, arrumei-as a um canto, como limpezas de Primavera. Saíste de casa e levaste-me o léxico, o talento, a vontade de lavar o cabelo e de conversar com Deus. Um dia, muito mais tarde, ao correr da pena e ao virar da esquina, choquei com elas, velhas amigas que, inesperadas, se riam para mim (ou rir-se-iam de mim?), irrompendo-me no peito como o perfume de antigas namoradas.
Eu Vejo
Há em ti um arremedo de tristeza. Um segredo. Escondido. Não revelado. Um passado nunca esquecido que aposto que se manifesta no escuro quando mais ninguém te vê e que acrescenta em mim a vontade de te agarrar, de te prender, de te hipnotizar, de te fazer festas e de te segredar intolerâncias ao ouvido, antes que descruzes as pernas, dobres o jornal e vás à tua vida. Iluminas, rasgas, aqueces, refinas, prometes, dissolves-me : um degrau lavado, uma lista branca, uma praça fechada sobre nós, a rapina de um bater de asas, uns minutos delicados, um passeio pelo teu corpo enquanto me mexes com a colher contra as paredes da tua chávena. E os dias vão correr melhor.
Volumetria do Amor
Quanto mais o tempo passa, melhor te lembro. Coisas a que nem ligava, a forma galgaz como andas, atirada para a frente e a quereres chegar sempre primeiro a tudo, e o repetir do encolher de ombros quando duvidas de mim em ti e não queres saber, estão agora desenhadas em mim a traço carregado. Hoje, adivinho a exacta fracção de metro que percorres a cada passo largo e a medida desses dedos cambeiros que costumavam iluminar-me a pele, da falange à falangeta; calculo quantos graus mede o ângulo que se forma entre o teu queixo e o pescoço, e de que modo a curva das tuas sobrancelhas se abate sobre o septo nasal quando desatas a pensar no que te aconteceu. Nisto não existe qualquer paradoxo: a recorrência da memória, que passa todos os dias pelos mesmos lugares, permitiu-me chegar à precisão das tuas medidas e formas, e à certeza quanto à rigorosa coreografia dos teus gestos. Dos teus pensamentos. Quanto mais o tempo insistiu para que te arrumasse e esquecesse, mais eu me entretive numa cirurgia reconstrutiva, em viagens rápidas de ida e volta, compondo-te de cheiros e de palavras, de fé, e descartando-me do que antes me exasperava e me impedia de nos inventar um passado credível e tridimensional. Igual ao teu. Hoje, sei-te muito mais do que ontem, embora não imagine para quê me serve, o ter-te inventariado pela noite fora enquanto me espalhava ao comprido na cama. Para uma coisa, talvez: feitas as contas, sei de cor o espaço certo que ocuparias na minha cama de corpo e meio e o quanto eu teria de me encolher para te deixar dormir, ou o quão pouco teria de percorrer, em modo de deslizamento rápido e em termos de centímetros de lençol cem por cento algodão, para te abarcar toda, assim resolvendo de vez a complexa equação que traduz a volumetria do Amor.
Uma Frase
"Um gesto lépido, um encolher de ombros, uma frase. A ela, basta-lhe uma frase, em especial se sincera. Não porque o pretenda ser ou faça por isso, mas porque a verdade circula nos meandros que a compõem. Então ela recolhe-se, como se um corpo estranho. Uma frase simples, que traduza a reacção adequada à provocação sem sentido. Que, de tão normal, mediana (gaussiana), a faz sentir-se diferente, avariada, sem remédio. Que lhe cala as palavras dentro ainda antes que se formem: letras avulsas passarão a correr nela como linfa. A loucura e o desgoverno alimentam-se do excesso que criam; a normalidade é autofágica para ela. Ela preferiria que a razão lhe permitisse ser fugaz (a razão, esse conceito que lhe é longe como um recorte de cordilheiras). Ela quereria não ver a vida na progressão geométrica do desespero. Às vezes, acorda e estremunha, mas nem por isso mais lúcida, apenas mais cansada. Mais derrotada. Só não é uma criatura sombria porque não se leva a sério. Precisa de fazer nada, para sustentar o delírio. Esconde o desvario nas palavras que não escreverá e encaixa num recanto de si a frase normal, como se esta lhe fizesse cócegas para sempre."
As Mulheres Têm os Fios Desligados
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sábado, setembro 13, 2008
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Das Palavras
" Há uns tempos a Joana: -Pai, acabei um namoro à homem. Perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda - Disse-lhe o problema não está em ti, está em mim. O que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes. Em primeiro lugar só terminam uma relação quando têm outra. Em segundo lugar são incapazes de já não gosto de ti. De não quero mais. Chegam com discursos vagos, circulares , preciso de tempo para pensar, não é que não te ame, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas. Ou declarações do género de tu mereces melhor, estive a reflectir e acho que já não te faço feliz , necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta. E aos amigos dá-me os parabéns que lá consegui livrar-me da chata, custou mas foi, amandei-lhe aquelas lérias do costume e a gaja engoliu, chora um dia ou dois e passa-lhe. E pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres. Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas e nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça. Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão. Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar (chichi, sede, fome, a janela de que esqueceram de fechar o estore ) ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas, pá e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarrados à gente, no ronhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo? Lembro-me de um sujeito que explicava o maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é pensar que durante uma semana estou safo. E depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las. O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias: as mulheres têm os fios desligados. E outro elucidou-me que eram como os telefones: avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa pare que comecem a trabalhar outra vez. Meus Deus, que pena me dão as mulheres. Se informam já não gosto de ti, se informam não quero mais.Aí estão eles alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos, ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte a ameaçarem matar-se, a perseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores, eles que nunca mandavam a colocarem-se de plantão À porta dado que aquela p*** há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-pagas, cenas ridículas, gritos. A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, Che Guevara ou eu, e eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham. Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhes caia na sorte um caramelo que passe À frente delas nas portas, não lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persianas-mal-descidas-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia (para citar noventa por cento dos escritores portugueses). O problema não está em ti está em mim a mexerem a faca na mesa ou a atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre. Não tenho nada contra os homens até gosto de alguns. Dos meus amigos. De Schubert. De Ovídio. De Horácio, de Vergílio. De Velásquez. De Rui Costa. De Einzenberger. Razoável a minha colecção. Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres. E não me excluo: fui cobarde idiota, desonesto. Fui (espero que não muitas vezes) rasca. Volta e meia surge-me na cabeça uma frase do Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde de mais. Resta-me esperar que ainda não seja tarde para mim. A partir de certa altura deixa de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros. O problema não está em ti está em mim, que extraordinária treta. Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc..., que mulher não ouviu bugigangas destas? Uma mulher contou-me que o marido iniciou o discurso habitual: Mereces melhor que eu, levou com a resposta, pois mereço. Rua. Enfim, mais ou menos isto, e estou a ver a cara dele à banda. Nem uma lágrima para amostra. Rua. A mesma lágrima para amostra. Rua. A mesma amiga para uma amiga sua. - O que faço às cartas de amor que me escreveu? E a amiga sua - Manda-lhas. Pode ser que façam falta. Fazem de certeza: é só copiar mudando o nome. Perguntei à minha amiga - E depois de ele se ir embora? - Depois chorei um bocado e passou-me. Ontem jantámos juntos. Fumámos um cigarro no automóvel dela, fui para casa e comecei a escrever isto. Palavra de honra que vi na janela uma árvore a sorrir-me. Podem não acreditar mas uma árvore a sorrir-me.»
Ele: Antonio ( Lobo Antunes ) - Revista Visão 31 de Julho 2008
Súplica
Restitua-me a essência que perdi Senhor : é esta a minha súplica. Porque embora a minha história transmita a verdade, e só a verdade, não transmite a essência da verdade ( vejo isso claramente, não precisamos de fingir que se passa de outra maneira). Para contar a verdade com toda a sua autenticidade, precisa de ter uma cadeira repousante e confortável, afastado de toda a dispersão, e uma janela para contemplar o exterior, e em seguida a habilidade de ver as ondas onde há campos e sentir o sol tropical quando faz frio, e na ponta dos dedos as palavras para captar a visão antes que esta se escape. Eu não possuo nenhuma destas qualidades.
Jogo Do Amor
O jogo do amor é daqueles sem vencedores antecipados, daqueles que vale sempre a pena jogar. Estuda-se o parceiro com um extremismo intímo, convive-se ao ponto de se saber quase tudo sobre o outro: horários, gostos, roupa interior, família, expressões e finalmente conhece-se até os silêncios e os pensamentos. Nunca se ganha sozinho no jogo do amor, é preciso pelo menos dois. Existem trabalhos publicados de jogos de amor com mais de duas pessoas, mas a evidência acumulada é de que raramente têm bom fim. No jogo do amor quase sempre um joga melhor que o outro mas na maior parte das vezes esse é quem perde.
Porque está morta
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terça-feira, setembro 02, 2008
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Das Palavras
" Como posso eu fazer-te compreender os desejos intensos de obter respostas ás interrogações, desejos sentidos por aqueles que entre nós vivem no mundo da fala ? Será como o desejo que temos ao sentir os lábios que beijamos corresponderem aos nossos ? De outra forma não sentíramos nós satisfação ao depositarmos os nossos beijos nas estátuas, nas estátuas frias de Reis e de rainhas, deuses e deusas ? Por que razão achas que nós não beijamos as estátuas nem dormimos com elas nas nossas camas, os homens com estátuas de mulheres e as mulheres com estátuas de homens, estátuas esculpidas em posturas de desejo ? Pensas que é pelo mármore ser frio ? Deita-te algum tempo com uma estátua numa cama, cobre ambos com mantas quentes e verás que o mármore começa a aquecer. Não. Não é porque a estátua é fria, mas porque está morta, ou antes, porque nunca viveu nem viverá. "
J.M. Coetzee in "A Ilha"
J.M. Coetzee in "A Ilha"
Tempo
Seguramente que com o tempo, as nossas memórias, se tornam menos seguras, tal como uma estátua de mármore corroída pela chuva, até já não sermos capazes de lhe reconhecer a forma dada pela mão do escultor. Não é vergonha esquecer: Faz parte da nossa natureza esquecer, assim como envelhecer e morrer. Mas encarada numa perspectiva a longo prazo, a vida começa a perder as suas particularidades. Os seus encantos: Todos os naufrágios se transformam no mesmo naufrágio, todos os náufragos no mesmo naufrago, queimado pelo sol, solitário, coberto com as peles dos animais que "matou" pelo caminho.
La Palice
EU Habituo-me. Reinvento-me. Readapto-me. Ao destino agradam as repetições, as variantes e as simetrias. Renuncio à pimenta e à cebola: Há sempre um segundo que antecede os momentos importantes. E dura sempre menos do que isso, especialmente quando revisto no futuro porque os grandes acontecimentos deixam sempre uma marca, uma crosta maior do que eles próprios. Só que isso só lhes dá a importância que eles têem.
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sábado, agosto 30, 2008
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Dos Botões
Era o tempo da palavra saída do estômago. O intervalo a trepar na folha o gosto do relâmpago. Enternecido o destino na humanidade na luz. E nós: Variante nossa (só nossa) a pasmar no branco do banco um estilhaço de sonho na camisola do vento. Esta é uma casa qualquer onde o instante é um espelho de ânsia a misturar os olhos.
Cartas da Guerra
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quinta-feira, agosto 28, 2008
«(...) Porque a família é, como dizer ? Uma espécie de coisa ao pé da qual gosto de estar em silêncio. Não sei se já reparaste que quase nunca ouvem o que dizemos, nem lhes interessa: em virtude do demasiado amor que nos têm escutam apenas o som da nossa voz e comovem-se com a música, como diante de um blábá infantil. Ainda não abrimos a boca e já estão a sorrir enternecidos uns para os outros, porque eles, para eles, são adultos e contribuintes, e nós, para eles, continuamos irremediavelmente a ser crianças – e talvez ainda bem (…)»
Ele: António (Lobo Antunes) em "Cartas da Guerra"
Falemos De Casas
Falemos de casas. Do sagaz exercício de um poder tão firme e silencioso como só houve no tempo mais antigo. Estes são os arquitectos, aqueles que vão morrer, sorrindo com ironia e doçura no fundo de um alto segredo que os restitui à alma. De doces mãos irreprimíveis. Sobre os meses, sonhando nas últimas chuvas, as casas encontram o seu inocente jeito de durar contra a boca subtil rodeada em cima pela treva das palavras. Estas são as casas. A nossa casa. E se vamos morrer nós mesmos, espantamos-nos um pouco, e muito, com tais arquitectos que não viram as torrentes infindáveis das rosas, ou as águas permanentes, ou um sinal de eternidade espalhado nos corações rápidos e vazios. Que fizeram estes arquitectos destas casas ? Eles que vagabundearam pelos muitos sentidos dos meses, dizendo: aqui fica uma casa, aqui outra, aqui outra, para que se faça uma ordem, uma duração, um sentido , uma beleza contra a força divina? Falemos de casas como quem fala da sua alma, entre um incêndio, junto ao modelo das searas, na aprendizagem da paciência e da vontade. Do desejo. Do desejo de querer vê-las erguer e elevarem-se aos céus e morrer com um pouco, um pouco de beleza. De sentido.
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domingo, agosto 24, 2008
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Dos Botões
Entornei-me de nudez e dei-te o flanco ás costas da pele e roubei-te o livro onde rasgavas memórias suspensas no escuro da minha solidão e trouxe-te suspensa no meu peito: E quando a noite amanheceu nos teus cabelos naveguei-te.Com a força do gesto fundo. Dancei contigo no pino das marés.Fui-te um silêncio.De ferro.E sol.E pó. De ouro. Floresces-me de nudez. Mesmo depois da vida. Sobretudo. Depois da vida.
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sábado, maio 03, 2008
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Das Letras
Love is the child of an endless war
Love is an open wound still raw
Love is a shameless banner unfurled
Love's an explosion,
Love is the fire at the end of the world
Love is a violent star
A tide of destruction
Love is an angry scar
The pain of instruction
Love is a violation, a mutilation, capitulation,
Love is annihilation.
I climb this tower inside my head
A spiral stair above my bed
I dream the stairs don't ask me why,
I throw myself into the sky
Love me like a baby, love me like an only child
Love me like an ocean; love me like a mother mild
Love me like a father, love me like a prodigal son
Love me like a sister, love me like the world has just begun
Love me like a prodigy, love me like an idiot boy,
Love me like an innocent, love me like your favorite toy
Love me like a virgin, love me like a courtesan,
Love me like a sinner, love me like a dying man.
Annihilate me, infiltrate me, incinerate me,
Accelerate me, mutilate me, inundate me,
Violate me, implicate me, vindicate me, Devastate me
Love me like a parasite, love me like a dying sun
Love me like a criminal, love me like a man on the run
Radiate me, subjugate me, incubate me, recreate me,
Demarcate me, educate me, punctuate me, evaluate me,
Conjugate me, impregnate me, designate me, humiliate me,
Segregate me, opiate me, calibrate me, replicate me.
Love is an open wound still raw
Love is a shameless banner unfurled
Love's an explosion,
Love is the fire at the end of the world
Love is a violent star
A tide of destruction
Love is an angry scar
The pain of instruction
Love is a violation, a mutilation, capitulation,
Love is annihilation.
I climb this tower inside my head
A spiral stair above my bed
I dream the stairs don't ask me why,
I throw myself into the sky
Love me like a baby, love me like an only child
Love me like an ocean; love me like a mother mild
Love me like a father, love me like a prodigal son
Love me like a sister, love me like the world has just begun
Love me like a prodigy, love me like an idiot boy,
Love me like an innocent, love me like your favorite toy
Love me like a virgin, love me like a courtesan,
Love me like a sinner, love me like a dying man.
Annihilate me, infiltrate me, incinerate me,
Accelerate me, mutilate me, inundate me,
Violate me, implicate me, vindicate me, Devastate me
Love me like a parasite, love me like a dying sun
Love me like a criminal, love me like a man on the run
Radiate me, subjugate me, incubate me, recreate me,
Demarcate me, educate me, punctuate me, evaluate me,
Conjugate me, impregnate me, designate me, humiliate me,
Segregate me, opiate me, calibrate me, replicate me.
Praticamente
Se durante o processo de construção
O autor vos remeter para uma estrutura quase demente
É porque foi usado mais por demais coração
Condição absoluta no limiar do obstinadamente
Esculpindo frases ao sabor da inspiração
Revestidas por minimal batida envolvente,
Construindo fortalezas muralhadas de emoção
Provocando aqui e ali, a moralidade vigente
E se, de repente, o sonho ganha asas de vulcão
Derramando palavras e punhais principalmente
Requerendo seguramente mais que uma audição
O que é, por vezes, não existe, mas sim aquilo que se pressente
Após longas e repetidas noites de agitação
O resultado surge emergente
Esvai-se a permanente inquietação
Entretanto, Sobretudo, Praticamente
O autor vos remeter para uma estrutura quase demente
É porque foi usado mais por demais coração
Condição absoluta no limiar do obstinadamente
Esculpindo frases ao sabor da inspiração
Revestidas por minimal batida envolvente,
Construindo fortalezas muralhadas de emoção
Provocando aqui e ali, a moralidade vigente
E se, de repente, o sonho ganha asas de vulcão
Derramando palavras e punhais principalmente
Requerendo seguramente mais que uma audição
O que é, por vezes, não existe, mas sim aquilo que se pressente
Após longas e repetidas noites de agitação
O resultado surge emergente
Esvai-se a permanente inquietação
Entretanto, Sobretudo, Praticamente
He Has A Dream!
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sábado, abril 05, 2008
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Eu Sou

A Vida: Martin Luther King nasceu em 15 de Janeiro de 1929 em Atlanta na Geórgia, filho primogénito de uma família de negros norte-americanos de classe média. O seu pai era pastor Baptista e sua mãe era professora numa escola local. Com 19 anos de idade Luther King tornou-se pastor baptista e mais tarde formou-se em teologia no Seminário de Crozer. Posteriormente fez uma pós-graduação na universidade de Boston, onde conheceu Coretta Scott, uma estudante de música com quem se casou.
Dedicou os seus estudos a temas relacionados com a filosofia de protesto não violento, inspirando-se nas ideias de Mahatma Gandhi. Em 1954 tornou-se pastor da igreja baptista de Montgomery, Alabama. Em 1955, Co-liderou o boicote aos transportes públicos de Montgomery, que começou com a recusa de Rosa Parks em ceder seu lugar num autocarro para um cidadão branco se sentar. Durante meses, os negros deixaram de usar o transportes públicos, caminhando para se movimentarem ou utilizando os carros de amigos e vizinhos. O sacrifício valeu a pena e demonstrou a determinação da etnia negra nos Estados Unidos. Uma protestante chegou a declarar: "Não estou a andar por mim, mas sim pelos meus netos".
O boicote foi vitorioso. Luther King foi preso acusado de promover a desordem pública durante a manifestação, que terminou com a decisão do Supremo Tribunal de Justiça dos Estados Unidos que declarou ilegal a segregação racial nos transportes públicos. Foi assim que se iniciou a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos. Em 1957 ajuda a fundar a Conferência da Liderança Cristã no Sul (SCLC), uma organização de igrejas e sacerdotes negros. King tornou-se o líder da organização, que tinha como objectivo acabar com as leis de segregação por meio de manifestações e boicotes pacíficos. No início da década de 1960, King liderou uma série de protestos em diversas cidades norte-americanas. Ele organizou manifestações para protestar contra a segregação racial em hotéis, restaurantes e outros lugares públicos.
Em 1963 liderou um movimento massivo, "A Marcha para Washington", pelos direitos civis no Alabama, organizando manifestações efectuadas por eleitores negros, foi um protesto que contou com a participação de mais de 250.000 pessoas que se manifestaram em prol dos direitos civis de todos os cidadãos dos Estados Unidos. A não-violência tornou-se sua maneira de demonstrar resistência. A sua bandeira. Foi preso diversas vezes. Neste mesmo ano liderou a histórica manifestação em Washington onde proferiu seu famoso discurso "I have a dream".
Em 1964 foi premiado com o Nobel da Paz. Os protestos continuaram vigorosamente, e em 1965 liderou uma nova marcha sobre Washington. Uma das consequências dessa marcha foi a aprovação da Lei dos Direitos de Voto de 1965 que abolia o uso de exames de literacia que tinham como intenção impedir a população negra de votar. Em 4 de Abril de 1968 King foi baleado e morto em Memphis, Tenessee, na varanda do seu hotel enquanto organizava uma manifestação em prol dos direitos dos trabalhadores que faziam a recolha do lixo de Memphis. Foi assassinado por um branco que foi preso e condenado a 99 anos de prisão. Em 1983, a terceira segunda-feira do mês de Janeiro foi decretada feriado nacional em homenagem ao aniversário de Martin Luther King Jr.'s.
Discurso de Martin Luther King, Jr. em Washington, D.C após a Marcha sobre Washington:

O discurso de Martin Luther King, pronunciado na escadaria do Monumento a Lincoln, em Washington, ( onde eu já estive! ) foi escutado por mais de 250.000 pessoas de todas as etnias, reunidas na capital dos Estados Unidos. Após a «Marcha para Washington por Emprego e Liberdade». A manifestação foi pensada como uma maneira de divulgar de uma forma dramática as condições de vida degradantes dos negros no Sul dos Estados Unidos, e exigir ao poder federal um maior comprometimento na segurança física dos negros e dos defensores dos direitos civis.
Devido a pressões políticas exercidas pela Presidência dos Estados Unidos - ocupada na altura por John F. Kennedy -, as exigências a apresentar no comício tornaram-se mais moderadas, mas mesmo assim, foram feitos pedidos claros: o fim da segregação no ensino público, passagem de legislação clara no que respeita aos direitos civis, assim como de legislação proibindo a discriminação racial no emprego; para além do fim da brutalidade policial contra militantes dos direitos civis e a criação de um salário mínimo para todos os trabalhadores, que beneficiaria sobretudo os negros.
O Momento: «Que a Liberdade Ressoe!»
" Há cem anos, um grande americano (Abraham Lincoln) sobre cuja sombra simbólica nos encontramos, assinava a Proclamação da Emancipação. Esse decreto fundamental foi como um raio de luz de esperança para milhões de escravos negros que tinham sido marcados a ferro nas chamas de uma vergonhosa injustiça. Veio como uma aurora feliz para terminar a longa noite do cativeiro. Mas, cem anos mais tarde, devemos enfrentar a realidade trágica de que o Negro ainda não é livre. em anos mais tarde, a vida do Negro é ainda lamentavelmente dilacerada pelas algemas da segregação e pelas correntes da discriminação.
Cem anos mais tarde, o Negro continua a viver numa ilha isolada de pobreza, no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos mais tarde, o Negro ainda definha nas margens da sociedade americana, estando exilado na sua própria terra. Por isso, encontramos-nos aqui hoje para dramaticamente mostrarmos esta extraordinária condição. Num certo sentido, viemos à capital do nosso país para descontar um cheque. Quando os arquitectos da nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de independência, estavam a assinar uma promessa de que cada cidadão americano se tornaria herdeiro.

Este documento era uma promessa de que todos os homens veriam garantidos os direitos inalienáveis à vida, à liberdade e à procura da felicidade. É óbvio que a América ainda hoje não pagou tal promessa no que concerne aos seus cidadãos de cor. Em vez de honrar este compromisso sagrado, a América deu ao Negro um cheque sem cobertura; um cheque que foi devolvido com a seguinte inscrição: "saldo insuficiente". Porém nós recusamos-nos a aceitar a ideia de que o banco da justiça esteja falido. Recusamos-nos a acreditar que não exista dinheiro suficiente nos grandes cofres de oportunidades deste país.
Por isso viemos aqui cobrar este cheque - um cheque que nos dará quando o recebermos as riquezas da liberdade e a segurança da justiça. Também viemos a este lugar sagrado para lembrar à América da clara urgência do agora. Não é o momento de se dedicar à luxúria do adiamento, nem para se tomar a pílula tranquilizante do gradualismo. Agora é tempo de tornar reais as promessas da Democracia. Agora é o tempo de sairmos do vale escuro e desolado da segregação para o iluminado caminho da justiça racial. Agora é tempo de abrir as portas da oportunidade para todos os filhos de Deus.
Agora é tempo para retirar o nosso país das areias movediças da injustiça racial para a rocha sólida da fraternidade. Seria fatal para a nação não levar a sério a urgência do momento e subestimar a determinação do Negro. Este sufocante verão do legítimo descontentamento do Negro não passará até que chegue o revigorante Outono da liberdade e igualdade. 1963 não é um fim, mas um começo. Aqueles que crêem que o Negro precisava só de desabafar, e que a partir de agora ficará sossegado, irão acordar sobressaltados se o País regressar à sua vida de sempre. Não haverá tranquilidade nem descanso na América até que o Negro tenha garantido todos os seus direitos de cidadania.Os turbilhões da revolta continuarão a sacudir as fundações do nosso País até que desponte o luminoso dia da justiça.
Existe algo, porém, que devo dizer ao meu povo que se encontra no caloroso limiar que conduz ao palácio da justiça. No percurso de ganharmos o nosso legítimo lugar não devemos ser culpados de actos errados. Não tentemos satisfazer a sede de liberdade bebendo da taça da amargura e do ódio.Temos de conduzir a nossa luta sempre no nível elevado da dignidade e disciplina. Não devemos deixar que o nosso protesto realizado de uma forma criativa degenere na violência física. Teremos de nos erguer uma e outra vez às alturas majestosas para enfrentar a força física com a força da consciência.

Esta maravilhosa nova militância que englobou a comunidade negra não nos deve levar a desconfiar de todas as pessoas brancas, pois muitos dos nossos irmãos brancos, como é claro pela sua presença aqui, hoje, estão conscientes de que os seus destinos estão ligados ao nosso destino, e que sua liberdade está intrinsecamente ligada à nossa liberdade. Não podemos caminhar sozinhos. À medida que caminhamos, devemos assumir o compromisso de marcharmos em frente. Não podemos retroceder.
Há quem pergunte aos defensores dos direitos civis: "Quando é que ficarão satisfeitos?" Não estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos incontáveis horrores da brutalidade policial. Não poderemos estar satisfeitos enquanto os nossos corpos, cansados das fadigas da viagem, não conseguirem ter acesso a um lugar de descanso nos motéis das estradas e nos hotéis das cidades. Não poderemos estar satisfeitos enquanto a mobilidade fundamental do Negro for passar de um gueto pequeno para um maior. Nunca poderemos estar satisfeitos enquanto um Negro no Mississipi não pode votar e um Negro em Nova Iorque achar que não há nada pelo qual valha a pena votar.
Não, não, não estamos satisfeitos, e só ficaremos satisfeitos quando a justiça correr como a água e a rectidão como uma poderosa corrente. Sei muito bem que alguns de vocês chegaram aqui após muitas dificuldades e tribulações. Alguns de vocês saíram recentemente de pequenas celas de prisão. Alguns de vocês vieram de áreas onde a vossa procura da liberdade vos deixou marcas provocadas pelas tempestades da perseguição e sofrimentos provocados pelos ventos da brutalidade policial. Vocês são veteranos do sofrimento criativo.
Continuem a trabalhar com a fé de que um sofrimento injusto é redentor.Voltem para o Mississipi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para a Luisiana, voltem para as bairros de lata e para os guetos das nossas modernas cidades, sabendo que, de alguma forma, esta situação pode e será alterada. Não nos embrenhemos no vale do desespero. Digo-lhes, hoje, meus amigos, que apesar das dificuldades e frustrações do momento, ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Tenho um sonho que um dia esta nação levantar-se-á e viverá o verdadeiro significado da sua crença: "Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais".Tenho um sonho que um dia nas montanhas rubras da Geórgia os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos proprietários de escravos poderão sentar-se à mesa da fraternidade. Tenho um sonho que um dia o estado do Mississipi, um estado deserto, sufocado pelo calor da injustiça e da opressão, será transformado num oásis de liberdade e justiça.
Tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pela qualidade do seu carácter. Tenho um sonho, hoje. Tenho um sonho que um dia o estado de Alabama, cujos lábios do governador actualmente pronunciam palavras de ... e recusa, seja transformado numa condição onde pequenos rapazes negros, e raparigas negras, possam dar-se as mãos com outros pequenos rapazes brancos, e raparigas brancas, caminhando juntos, lado a lado, como irmãos e irmãs.
Tenho um sonho, hoje. Tenho um sonho que um dia todos os vales serão elevados, todas as montanhas e encostas serão niveladas, os lugares ásperos serão polidos, e os lugares tortuosos serão endireitados, e a glória do Senhor será revelada, e todos os seres a verão, conjuntamente.Esta é nossa esperança. Esta é a fé com a qual regresso ao Sul. Com esta fé seremos capazes de retirar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé poderemos transformar as dissonantes discórdias de nossa nação numa bonita e harmoniosa sinfonia de fraternidade. Com esta fé poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, ir para a prisão juntos, ficarmos juntos em posição de sentido pela liberdade, sabendo que um dia seremos livres.

Esse será o dia quando todos os filhos de Deus poderão cantar com um novo significado: "O meu país é teu, doce terra de liberdade, de ti eu canto. Terra onde morreram os meus pais, terra do orgulho dos peregrinos, que de cada localidade ressoe a liberdade".E se a América quiser ser uma grande nação isto tem que se tornar realidade. Que a liberdade ressoe então dos prodigiosos cabeços do Novo Hampshire. Que a liberdade ressoe das poderosas montanhas de Nova Iorque. Que a liberdade ressoe dos elevados Alleghenies da Pensilvania! Que a liberdade ressoe dos cumes cobertos de neve das montanhas Rochosas do Colorado! Que a liberdade ressoe dos picos curvos da Califórnia! Mas não só isso; que a liberdade ressoe da Montanha de Pedra da Geórgia!
Que a liberdade ressoe da Montanha Lookout do Tennessee! Que a liberdade ressoe de cada Montanha e de cada pequena elevação do Mississipi. Que de cada localidade, a liberdade ressoe. Quando permitirmos que a liberdade ressoe, quando a deixarmos ressoar de cada vila e cada aldeia, de cada estado e de cada cidade, seremos capazes de apressar o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar as palavras da antiga canção negra: "Liberdade finalmente! Liberdade finalmente! Louvado seja Deus, Todo-poderoso, estamos livres, finalmente!"
Eu Sou MLK
Estou Bem
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segunda-feira, março 10, 2008
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Dos Botões
Por Perto É Bom.Por Dentro.É Assim Que Eu Gosto Que Corra A Minha Vida.Sinto-me Sem Explicações A Dar.Sem Prisões Para Me Atormentar. Sem Pesos Para Levantar.Sem Cruzes Para Carregar.Sinto-me Bem.Bem. Gosto De Coisas Simples.Com Cor.Boas.Sinceras.Doces.Sem Barreiras. Sem Abismos.Sem Muros.Sem Limites.Com Forma Definida.Com Sentido.É Isso.Com Sentido.Hoje Sinto-me Leve.Comigo.Sinto-me No Topo Da Minha Forma.É Isso.No Topo Da Minha Forma.Por Vezes Deixo-me Esquecer Do Tão Pouco Que Eu Preciso Para Lá Chegar.E Estar.E Voltar Quando Precisar.Preciso De Mim.Assim.E O Resto Chega Com Naturalidade.O Futuro.Vai Chegar.
Somos Tu
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quinta-feira, fevereiro 14, 2008
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Dos Botões
O Amor Não Começa. Nem Termina. Da Forma Que Queremos. Que Desejamos. Que Pedimos Aos Céus. O Amor? Amar É Fogo. Quente. É Pedra. Duro. É Tempestade. Força. É Tempo. Seguro. O Amor É Dança. Uma Batalha. Uma Guerra. É Sangue. É Dor. É Crescimento. É Continuidade. É Vontade. É Sacrificio. É Altruísmo. É Desejo. Desejo. O Amor ? O Amor Sou Eu. Sou Eu. E Somos Tu.
A Lenda Das Almas Gémeas
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domingo, fevereiro 10, 2008
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Das Palavras
Há Muito Muito Tempo Atrás, Num Reino Muito Distante, Existiu Um Rei Que Tinha Uma Filha De Seu Nome Psique (Alma). A Sua Beleza Era Tão Grande. Tão Grande Que Enfeitiçava Todos Os Homens Que A Olhassem Directamente Nos Olhos. No Início, Este Facto, Constituía Motivo De Orgulho Para O Poderoso Rei. Com O Passar Do Tempo Tornou-se Um Verdadeiro Martírio. Nenhum Homem Que Surgia Perante Psique Conseguia Ama-la Devido A Sua Perfeição. Reis, Escribas, Poetas, Guerreiros, Jovens Príncipes, Todos Eles Não Se Achavam Dignos De Tanta Beleza E Bondade. Assim A Cada Dia Que Passava, Psique Tornou-se Mais Triste E Sozinha. O Rei, Sem Nunca Desistir Ou Abdicar Da Felicidade Da Sua Filha, Consultou Mestres, Magos, Videntes E Viajantes, Mas Nunca Conseguiu Descobrir Uma Formula De Por Fim À Infelicidade Da Sua Filha. Numa Noite De Céu Estrelado, Psique Teve Um Sonho Que Parecia Interminável. Ouviu O Seu Nome A Ser Entoado Por Uma Bela Voz Que Vinha De Um Mundo Muito Distante. Viu-se A Voar Pelos Céus, Nos Braços De Um Anjo Que Lhe Prometeu A Felicidade. Psique Ao Acordar, Contou Aos Seus Pais A Sua Feliz Visão. Agora Sim. Agora Ela Acreditava Que O Seu Destino Jamais Seria A Solidão E Acreditava Que Um Dia Encontraria A Paz, A Tranquilidade E A Felicidade Tão Sonhada. Desde Essa Noite. Psique Passou A Sorrir Quando Ouvia A Voz Do Seu Coração. Um Belo Dia. Sentada Num Campo De Flores, Foi Erguida Aos Céus Por Um Fio Dourado. Psique Voou Por Mundos Muitos Distantes. Por Cima De Céus, E De Mares, Nunca Antes Vistos, Até Chegar A Um Castelo Enorme, Lindissimo, Muito Rico E Belo. Era A Coisa Mais Bonita Que Tinha Visto Até Aquele Momento. Psique Foi Recebida Por Inúmeros Criados Que Já A Conheciam E A Tratavam Como Se Já A Esperassem Há Muito Tempo. Psique Perguntou De Quem Seria Tão Bela Casa E Para Sua Surpresa, Os Criados Responderam-lhe Que Aquela Era A Sua Casa E Que Logo Que O Sol Adormecesse, Conheceria Eros. O Guardião Do Amor. Ao Anoitecer Psique Foi Conduzida Para O Mais Belo Dos Quartos Do Grandioso Castelo. Estranhamente O Quarto Não Possuía Nenhuma Luz Ou Janela. À Medida Que A Noite Cobria A Terra, O Quarto De Psique Mergulhou-se Na Mais Profunda Escuridão. De Repente, Psique Sentiu A Presença De Eros No Quarto. Nos Seus Braços. Sentiu A Sua Respiração No Seu Pescoço. E Dormiram Agarrados Toda A Noite. No Dia Seguinte Psique Acordou Sozinha E Muito Assustada. Teria Sido Um Sonho? Não. Ainda Conseguia Sentir O Calor de Eros Nas Suas Mãos. Psique Percorreu Durante Todo O Dia, O Castelo A Procura De Eros. Entrou Em Todas As Salas, Salões E Quartos Que Encontrou. E Cada Vez Mais Apreensiva, Perguntou Aos Criados , Mas Todos Mantinham O Silêncio Quando Ouviam O Nome De Eros. Ficou Desesperada. Nervosa E Chorou. Amaldiçoou Aquele Lugar E Adormeceu. Ao Anoitecer Os Seus Criados Conduziram-na Novamente Para O Seu Quarto E Deixaram-na Sozinha, Como Haviam Sido Instruídos Há Muito Tempo Atrás. Segundos Após O Ultimo Raio De Luz Deixar De Iluminar O Quarto Eros Retornou E Tocou Levemente O rosto de Psique. Psique Acordou E Imaginou-se Num Sonho. Eros Não A Havia Abandonado. Eros Jamais A Abandonaria. Mas Ele Com Uma Dor Profunda Em Sua Voz, Sem Conseguir Controlar As Emoções, Contou A Psique Que Eles Eram Fruto De Uma Maldição Muito Antiga. Uma Maldição Que Dizia Que Um Dia Nasceriam Duas Pessoas Perfeitas, Perfeitas Em Seus Actos, Em Suas Palavras, Perfeitas Em Corpo E Espírito. Um Seria O Complemento Do Outro. Um Sentiria A Presença Do Outro. Sempre. Todos Os Dias. A Perfeição Seria Tanta Que Jamais Haveria Uma União Que Os Satisfizesse, A Não Ser A Deles Mesmo. A União Só Aconteceria Com Uma Condição: Eles Jamais Poderiam Se Voltar A Ver Enquanto O Sol Estivesse Bem Alto Nos Céus. Muito Anos Passaram, Depois Daquela Triste Noite De Revelação. Foram Anos Absolutamente Maravilhosos, Recheados De Felicidade, De Cumplicidade E De Ternura. Um Dia Psique Resolveu Visitar Os Seus Pais E Voltar A Sua Casa Novamente. Psique Despediu-se De Eros, Prometendo Voltar Dentro De Algumas Horas. Psique Partiu. Partiu Feliz. Voou Novamente Pelas Asas Do Vento E Voltou Ao Seu Antigo Mundo. Correu Para Os Braços Dos Seus Pais E Contou Tudo O Que Havia Acontecido. Falou Sobre Eros, Sobre O Seu Castelo De Sonho, Sobre A Sua Felicidade Tão Desejada E Finalmente Agora Conquistada. Mas Nunca Revelaria O Que Quer Que Fosse Sobre A Maldição. Ao Anoitecer. De Volta Ao Castelo De Eros, Psique Não Resistiu E Levou Uma Lamparina Para O Quarto Na Esperança De Conseguir Ver A Cara De Eros. Esperou Que Eros Adormecesse. Acendeu A Lamparina. E Chorou. Chorou Compulsivamente. Como Nunca Antes O Tinha Feito. Eros Era Tudo O Que Ela Sempre Imaginou. Nunca Tinha Visto Um Homem Tão Bonito. Forte. Com Um Olhar Meigo. Sereno. Com Os Sucessivos Soluços De Psique, Eros Acordou Assustado, Fazendo Com Que Uma Gota De Óleo A Ferver Caísse Nos Seus Braços, Queimando-o Gravemente. Eros e Psique Não Respeitaram A Maldição. Não Conseguiram Resistir A Tentação. E Inesperadamente. Vindo Dos Céus. Zeus, O Deus De Todos Os Deuses, Senhor De Todos os Mundos, Surge Dos Céus E Dirigindo-se A Psique E A Eros Diz: " Como Ousais? Apesar De Toda A Felicidade Que Vos Entreguei Em Vossos Corações. Permitirem-se, A Não Obedecer Ás Minhas Ordens? Como Se Atrevem A Enfrentar O Meu Poder?" Psique e Eros Temendo A Ira De Zeus, Ajoelharam-se E Suplicaram Por Perdão. Prometeram Que Voltariam A Viver Na Mais Profunda Escuridão. E Jamais. Jamais. Se Tornariam A Ver Enquanto O Sol Ainda Pairasse Sob Os Céus. Zeus. Furioso. Lançou Uma Terrível Maldição Sobre Os Amantes : A Partir Deste Dia Psique E Eros Tornaram-se Cegos. Não Dos Olhos. Mas Das Suas Almas. Passariam O Resto Da Eternidade A Vaguear Por Mundos Estranhos E Imperfeitos, Até Se Conseguirem Reconhecer E Voltarem A Se Encontrar. As Suas Almas Ficariam Eternamente Aprisionadas Fisicamente Nos Corpos De Pessoas Completamente Disformes E Diferentes Entre Si. Pessoas. Bonitas. Feias. Novas. Velhas. Cansadas. Cheias de Vida. De Todas As Raças E Formas. A Única Forma De Psique E Eros Se Livrarem Da Maldição Passava Por Terem Que Se Reencontrar E Reconhecerem-se Mutuamente E Dessa Forma Provar A Zeus O Seu Verdadeiro Arrependimento De Terem Tido A Necessidade De Verem Os Seus Rostos Fisicamente, Alem Da Verdadeira Face Das Suas Almas Escondidas Dentro De Um Corpo Perfeito Que Não Passava De Uma Casca De Noz Construída Por Zeus. Colocados Perante As Suas Almas Imortais E Imperfeitas, Teriam Que Reaprender A Usar Novamente Os Olhos Das Suas Almas, Visto Que Agora Só Teriam Os Olhos Do Seus Corpos. Durante Milhares De Anos Eros E Psique Viajaram Pelo Universo Inteiro, Por Mundos Nunca Antes Vistos. Percorreram Todas As Aldeias, Vilas E Cidades Á Procura Um Do Outro. Sentiram O Verdadeiro Significado Das Suas Limatações. Da Sua Solidão. Até Que Um Dia No Topo De Uma Montanha, Eros Avista Vénus, A Deusa Do Amor E Da Beleza, E Desesperado, Suplica-lhe Por Ajuda. Vénus, Após Alguma Meditação Propôs Ajudar Eros E Psique: Vénus Lançou Uma Bela Magia. A Queimadura Da Lamparina Que Eros Sofreu Seria A Chave. Vénus Colocou A Mesma Queimadura Nos Braços de Psique Para Que Esta Servisse De Pista. Em Cada Vida. E Apesar Dos Seus Corpos Deformados A Queimadura Seria O Suficiente Para Que Eros E Psique Se Voltassem A Reencontrar. A Cada Vida. Cada Um Traria Um Sinal Que Quando Visto Pelos Olhos Um Do Outro, Despertaria Os Olhos Das Suas Almas. E Assim. Algum Dia. Em Algum Lugar. Em Algum Tempo. Eros Reconheceria Psique. Pela Sua Maneira De Falar. Pela Forma Como Arranjava Os Seus Cabelos. Pelo Seu Tom De Voz. Pela Forma Como Sorria. Pela Forma Como Acordava de Manhã. Pela Maneira Como Lhe Contava Uma História. Pela Forma Como O Abraçava Durante A Noite Quando O Sol Se Escondia. Pela Forma Como Sorria Quando O Mundo A Forçava A Chorar. Pela Forma Das Suas Mãos. Da Textura Dos Seus Pelos. Pela Delicadeza Do Seu Rosto. Desta Forma. Um Dia. Em Algum Lugar. Eros O Guardião Do Amor. Psique A Guardiã Da Almas. Estarão Juntos Novamente, Desprovidos Dos Seus Corpos Amaldiçoados E Provarão A Zeus Que O Seu Amor Conseguiu Unir Novamente, O Que Jamais Deveria Ter Sido Separado... As Suas Almas Gémeas.
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