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Tenho Saudades Tuas

Posted by Antonio on quinta-feira, outubro 23, 2008 in
"Só compreendemos a ausência ou a morte de um amigo no momento em que esperamos dele uma resposta e sentimos que ela não existirá mais; por isso, primeiramente evitamos interrogar para não ter de perceber esse silêncio; nós nos desviamos das regiões de nossa vida em que poderíamos encontrar esse nada, mas isso significa que nós as adivinhamos." Maurice Merleau-Ponty, Fenomenologia da Percepção

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Egos

Posted by Antonio on quarta-feira, outubro 15, 2008 in
“If there’s anything more important than my ego around, I want it caught and shot now.” - Douglas Adams, ‘The Hitchhikers Guide To The Galaxy’.

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Pensamento

Posted by Antonio on terça-feira, outubro 07, 2008 in
Afinal, este é um pensamento como qualquer outro, nada tem de ofensivo, disse, ao dar conta de que já o pensava há bastante tempo; talvez há dias. Ou há meses. Atrapalhou-se: no entanto, é verdade, podia ter pensado em coisas muito melhores.

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Nem Hora Nem Fado

Posted by Antonio on sábado, outubro 04, 2008 in ,
Acredite-me, acredite-se, dê-se crédito, deposite-se, penhore-se no ourives da esquina, mas antes de lá ir, pinte tudo de purpurina, faça o gosto à tia preferida, oculte a verdade revelando-se alguém cheio de vontade, despreze o jade e finja ouro, venda casquinha: Coloque a cruz no formulário onde diz: "usadinho".Faça, desfaça, copie, picote, rasgue, rascunhe, dobre e amasse, trespasse e arrote, confirme e aborte, calque, decalque, rasure, imprima e deprima, goste, aposte, cosa, descosa, a renda proibida da sua esposa, ou até de uma prima, pintada a traços grossos de terebintina, e faça muito calor, faça chuva ou faça sol, rime, destine, atine duma vez, utilize haxixe, faça-se feliz, ofereça-se a flor que sempre quis, amor de pétala de liz, fique muito nervosinho e diga:”Como diz?”, Ouça, oiça, parta louça, a loiça, venda o oiro e a prata, tesoiro de lata, seja ouro e laca, e pinte-se de muitas cores, uma por cada um dos seus amores, de fantasia, de pechisbeque, não apenas as muletas e o aluquete, mas as algemas e a lataria, mais o garrote e torniquete, que esta corrida, a sugar-lhe a vida, bilhete de volta e ida, a piscar-lhe o olho num beco, a espiá-lo da janela, a rir-se dentro de casa, a fingir que não vive nela, a montar-lhe uma esparrela, uma esperinha junto ao portão, e o Sr. sem fato nem gravata, a fazer trapézio sem rede, Vê-de! Inclinem as retinas, espremam tangerinas, e prestem atenção à poça que ele derramou por essa moça, atenção que patinas, equilibrado e sem mãos, e sabe como? Metidos os pés pelas mãos, meta a moeda na ranhura, inflame um cometa de ternura, mas não cometa a bravura, de se apaixonar, assim sem mais menos, que vida já lhe foi dura e serviu-se duma urtiga, mãe gorda que castiga, e na mão engordurada antes estivesse uma espada, que a verdade é bem mais dura, é uma lacuna que perdura, cruza os dedos e jura, por Jesus, pelos pastorinhos, pelas ovelhas imaculadas (que também elas lhe pareceram sagradas na sua pose bucólica de repasto desinteressado que ainda hoje lhe causa espécime e manifesto desagrado) Saltem-se as ovelhas, volte-se à vaca fria, está mais gordo, quem diria, casado com uma espia, periscópio do quotidiano, estroboscópio de fulano, nem ao épico jumento do presépio interessa o obséquio perpetrado por sua dona, que ao vizinho ofereceu, tudo o que era seu, a dona, que lhe vendeu tudo o que deus lhe deu, voltemos à estaca zero, o embaraço que quero discutir é o amasso que se faz sentir à noite na respiração que lhe abranda ao ritmo da alergia ao gato, quero que saiba do x-acto perdido durante a cirurgia, que o seu médico bebia, e era um frustrado jogador de canasta, vendera a mãe numa subasta, ficou a perder, mas a seu ver, padece de cataratas, deixaram-lhe os olhos num lago, inquinado e pornográfico, de dor esparramada, sem ser possível camuflar nada, até esta ruga de expressão dos tempos em que se ria contribui para a orgia do empardecer do seu semblante, frase mui interessante, por todo o texto aplaudida, desde logo se percebe onde se deve fincar a sebe, hastear a bandeira seguir o curso da moedeira até chegar à plebe, real sentimento de desgraça rir muito e não ter graça, senão aquelas disparatadas, que servem de isco para as entradas, com as quais, confesse lá Sr. Dr., conquistou por variadas vezes ao amor, sempre com o seu jeito maroto, todas lhe caíram no goto, até que um dia, gordo e afrontado, deu por si nauseado com a manifesta ingenuidade de se sentir velho para a idade, erro crasso e entrevante pois o verdadeiro bom amante não evita ser amado. Que a vida não tem hora nem fado, mas ainda assim há quem chegue atrasado.

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