0

Baralhar e Voltar a Dar

Posted by Antonio on terça-feira, setembro 30, 2008 in
30 de Setembro de 2008.

0

Back On Sunday

Posted by Antonio on terça-feira, setembro 23, 2008 in


0

És Uma Promessa

Posted by Antonio on sábado, setembro 20, 2008 in ,
És promessa de escrita e de voo alterado das palavras dentro de mim, e só por isso vales a pena.

0

Tenho 5 Anos

Posted by Antonio on sexta-feira, setembro 19, 2008 in
Vejo-te naquela névoa baixinha que enfeita os sonhos que abrem alas ao espavento da madrugada. Trazes contigo toda a vontade do mundo, avanças sem medo, corres na minha direcção como a parte pirosa de um filme, em câmara lenta, e desaguas um sorriso longitudinal no ar quase parado. Projectas para trás o penteado fora de moda, enquanto eu vacilo, algures entre a alteridade do espectador e o envolvimento da personagem. De pé à tua espera. Carente. Orgulhoso. Parado. Não sei se triste se contente, porque não me vejo, apenas me percepciono. O dia, entretanto, a fazer-me olhinhos, namoradeiro, enquanto as persianas fechadas rangem com o calor súbito da manhã e se espreguiçam, alheias. Então, como num pesadelo de criança cuja mãe lhe foge, ultrapassas-me o olhar, expectante para com o que encontras para além de mim, por cima do ombro da minha vista. Eu a chamar-te e tu agora de costas, sempre de costas, como se me tivesses atravessado num espectro. Viro-me para trás, a tempo de te ver desaparecer as fraldas da camisola suada na esquina. Fico pregado ao chão.Imóvel. Perdido. Tenho cinco anos e pregado ao chão. A minha mãe, que não me ouve: o elevador que cai e nunca se despenha. O meu corpo num ângulo estranho, desafiando as leis da gravidade, e eu a torcer a garganta, a espremer um grito, um alinhavar de sons escondidos. Rebolo. Suspiro contigo pelo teu passado. Acordo e abençoo o dia, agradecido, aliviado: não por ter entretanto acordado, mas sim por tu não teres parado de insistir. Por não te teres ido embora.

0

Por Defeito e Por Feitio

Posted by Antonio on quinta-feira, setembro 18, 2008 in
Quando saíste, deixei de escrever. Quer dizer, escrever, escrevia, mas nada que me saísse das entranhas, então quietas como um bicho à escuta. Sabia que não lhes poderia mexer, às entranhas: sair-me-iam remoinhos de dor pela boca, às golfadas. Temi que a dor se infiltrasse ainda mais nas reentrâncias da própria dor, como se me comesse por dentro. Ter o que escrever, contradiria a minha vida de então, alimentada a restos de silêncios, a detritos de lembranças mudas. Costumavas chegar-me e, com um beijo distraído, soltavas as palavras que, aprisionadas nas minudências do meu dia, ansiavam por tal gesto: um gesto que lhes assegurasse a pertinência do amor. Depositado o beijo, e as palavras espreguiçavam-se, cinderelas despertas; respiravam, como um vinho velho depois de aberto. Não obstante a tendência que sempre tive para as calar fundo, por defeito e por feitio, trepavam-me, contrariavam-me, salmões subindo o rio na desova, e eu escrevia. Primorosa e conscienciosamente. Feliz, inventava histórias de amor com finais tristes e condoía-me. No fim, voltava para a cama e envolvia-te o ressonar com os braços mornos, confortado com a alteridade da ficção. Mas, aos poucos, a escrita deixou de me fluir fácil, predominante, eloquente, e passou a forçada, com hora certa, demarcada da escassez notória do beijo, cada vez menos distraído e mais compenetrado da sua condição de beijo. Por essa altura, já eu não dormia e caminhava por negras veredas, meio cego, perdido: um espectro dentro de um corpo, um sopro de vida, o reconhecimento apenas da fome. As palavras, deixei de as experimentar antes de as usar; de as provar, de lhes testar a síncope, pois tanto fazia, e, por fim, arrumei-as a um canto, como limpezas de Primavera. Saíste de casa e levaste-me o léxico, o talento, a vontade de lavar o cabelo e de conversar com Deus. Um dia, muito mais tarde, ao correr da pena e ao virar da esquina, choquei com elas, velhas amigas que, inesperadas, se riam para mim (ou rir-se-iam de mim?), irrompendo-me no peito como o perfume de antigas namoradas.

0

Eu Vejo

Posted by Antonio on quarta-feira, setembro 17, 2008 in ,
em ti um arremedo de tristeza. Um segredo. Escondido. Não revelado. Um passado nunca esquecido que aposto que se manifesta no escuro quando mais ninguém te vê e que acrescenta em mim a vontade de te agarrar, de te prender, de te hipnotizar, de te fazer festas e de te segredar intolerâncias ao ouvido, antes que descruzes as pernas, dobres o jornal e vás à tua vida. Iluminas, rasgas, aqueces, refinas, prometes, dissolves-me : um degrau lavado, uma lista branca, uma praça fechada sobre nós, a rapina de um bater de asas, uns minutos delicados, um passeio pelo teu corpo enquanto me mexes com a colher contra as paredes da tua chávena. E os dias vão correr melhor.

0

Volumetria do Amor

Posted by Antonio on terça-feira, setembro 16, 2008 in ,
Quanto mais o tempo passa, melhor te lembro. Coisas a que nem ligava, a forma galgaz como andas, atirada para a frente e a quereres chegar sempre primeiro a tudo, e o repetir do encolher de ombros quando duvidas de mim em ti e não queres saber, estão agora desenhadas em mim a traço carregado. Hoje, adivinho a exacta fracção de metro que percorres a cada passo largo e a medida desses dedos cambeiros que costumavam iluminar-me a pele, da falange à falangeta; calculo quantos graus mede o ângulo que se forma entre o teu queixo e o pescoço, e de que modo a curva das tuas sobrancelhas se abate sobre o septo nasal quando desatas a pensar no que te aconteceu. Nisto não existe qualquer paradoxo: a recorrência da memória, que passa todos os dias pelos mesmos lugares, permitiu-me chegar à precisão das tuas medidas e formas, e à certeza quanto à rigorosa coreografia dos teus gestos. Dos teus pensamentos. Quanto mais o tempo insistiu para que te arrumasse e esquecesse, mais eu me entretive numa cirurgia reconstrutiva, em viagens rápidas de ida e volta, compondo-te de cheiros e de palavras, de fé, e descartando-me do que antes me exasperava e me impedia de nos inventar um passado credível e tridimensional. Igual ao teu. Hoje, sei-te muito mais do que ontem, embora não imagine para quê me serve, o ter-te inventariado pela noite fora enquanto me espalhava ao comprido na cama. Para uma coisa, talvez: feitas as contas, sei de cor o espaço certo que ocuparias na minha cama de corpo e meio e o quanto eu teria de me encolher para te deixar dormir, ou o quão pouco teria de percorrer, em modo de deslizamento rápido e em termos de centímetros de lençol cem por cento algodão, para te abarcar toda, assim resolvendo de vez a complexa equação que traduz a volumetria do Amor.

0

Uma Frase

Posted by Antonio on segunda-feira, setembro 15, 2008 in ,
"Um gesto lépido, um encolher de ombros, uma frase. A ela, basta-lhe uma frase, em especial se sincera. Não porque o pretenda ser ou faça por isso, mas porque a verdade circula nos meandros que a compõem. Então ela recolhe-se, como se um corpo estranho. Uma frase simples, que traduza a reacção adequada à provocação sem sentido. Que, de tão normal, mediana (gaussiana), a faz sentir-se diferente, avariada, sem remédio. Que lhe cala as palavras dentro ainda antes que se formem: letras avulsas passarão a correr nela como linfa. A loucura e o desgoverno alimentam-se do excesso que criam; a normalidade é autofágica para ela. Ela preferiria que a razão lhe permitisse ser fugaz (a razão, esse conceito que lhe é longe como um recorte de cordilheiras). Ela quereria não ver a vida na progressão geométrica do desespero. Às vezes, acorda e estremunha, mas nem por isso mais lúcida, apenas mais cansada. Mais derrotada. Só não é uma criatura sombria porque não se leva a sério. Precisa de fazer nada, para sustentar o delírio. Esconde o desvario nas palavras que não escreverá e encaixa num recanto de si a frase normal, como se esta lhe fizesse cócegas para sempre."

0

Perfeição

Posted by Antonio on domingo, setembro 14, 2008 in , ,
Saber que não existes, alivia-me o fardo de não te ter tido. De não te ter. Nunca me exigiste. Nunca exististe. Nunca exististe porque eu criei-te. Moldei-te à minha precisão. Como um relógio de parede. À minha altura.

0

As Mulheres Têm os Fios Desligados

Posted by Antonio on sábado, setembro 13, 2008 in
" Há uns tempos a Joana: -Pai, acabei um namoro à homem. Perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda - Disse-lhe o problema não está em ti, está em mim. O que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes. Em primeiro lugar só terminam uma relação quando têm outra. Em segundo lugar são incapazes de já não gosto de ti. De não quero mais. Chegam com discursos vagos, circulares , preciso de tempo para pensar, não é que não te ame, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas. Ou declarações do género de tu mereces melhor, estive a reflectir e acho que já não te faço feliz , necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta. E aos amigos dá-me os parabéns que lá consegui livrar-me da chata, custou mas foi, amandei-lhe aquelas lérias do costume e a gaja engoliu, chora um dia ou dois e passa-lhe. E pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres. Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas e nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça. Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão. Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar (chichi, sede, fome, a janela de que esqueceram de fechar o estore ) ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas, pá e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarrados à gente, no ronhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo? Lembro-me de um sujeito que explicava o maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é pensar que durante uma semana estou safo. E depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las. O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias: as mulheres têm os fios desligados. E outro elucidou-me que eram como os telefones: avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa pare que comecem a trabalhar outra vez. Meus Deus, que pena me dão as mulheres. Se informam já não gosto de ti, se informam não quero mais.Aí estão eles alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos, ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte a ameaçarem matar-se, a perseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores, eles que nunca mandavam a colocarem-se de plantão À porta dado que aquela p*** há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-pagas, cenas ridículas, gritos. A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, Che Guevara ou eu, e eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham. Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhes caia na sorte um caramelo que passe À frente delas nas portas, não lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persianas-mal-descidas-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia (para citar noventa por cento dos escritores portugueses). O problema não está em ti está em mim a mexerem a faca na mesa ou a atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre. Não tenho nada contra os homens até gosto de alguns. Dos meus amigos. De Schubert. De Ovídio. De Horácio, de Vergílio. De Velásquez. De Rui Costa. De Einzenberger. Razoável a minha colecção. Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres. E não me excluo: fui cobarde idiota, desonesto. Fui (espero que não muitas vezes) rasca. Volta e meia surge-me na cabeça uma frase do Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde de mais. Resta-me esperar que ainda não seja tarde para mim. A partir de certa altura deixa de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros. O problema não está em ti está em mim, que extraordinária treta. Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc..., que mulher não ouviu bugigangas destas? Uma mulher contou-me que o marido iniciou o discurso habitual: Mereces melhor que eu, levou com a resposta, pois mereço. Rua. Enfim, mais ou menos isto, e estou a ver a cara dele à banda. Nem uma lágrima para amostra. Rua. A mesma lágrima para amostra. Rua. A mesma amiga para uma amiga sua. - O que faço às cartas de amor que me escreveu? E a amiga sua - Manda-lhas. Pode ser que façam falta. Fazem de certeza: é só copiar mudando o nome. Perguntei à minha amiga - E depois de ele se ir embora? - Depois chorei um bocado e passou-me. Ontem jantámos juntos. Fumámos um cigarro no automóvel dela, fui para casa e comecei a escrever isto. Palavra de honra que vi na janela uma árvore a sorrir-me. Podem não acreditar mas uma árvore a sorrir-me.»
Ele: Antonio ( Lobo Antunes ) - Revista Visão 31 de Julho 2008

0

Nunca

Posted by Antonio on sexta-feira, setembro 12, 2008 in ,
Nunca

Do latim "Nunquam"

Advérbios:
Em tempo algum;
Jamais;
Não.

0

Turbulence

Posted by Antonio on quinta-feira, setembro 11, 2008 in ,
I get nervous when I fly. I'm used to walking with my feet. Turbulence is like a sigh that I can't help but over think.

0

The End Of The World

Posted by Antonio on quarta-feira, setembro 10, 2008 in ,
Waves of regrets, Waves of joy. I reached out to the one i tried to destroy. And you ? You said you waited till the end of the world.

0

Boas Intenções

Posted by Antonio on terça-feira, setembro 09, 2008 in
As boas intenções dão sempre má, péssima literatura.

0
Posted by Antonio on segunda-feira, setembro 08, 2008 in ,
It´s you. And your three millions ways to make noise.

0

Revisão da Lei de Murphy

Posted by Antonio on domingo, setembro 07, 2008 in
Às vezes tudo o que pode correr mal, terrivelmente mal surpreende-nos correndo da melhor maneira possível. Fico a dever-lhe uma.

0

Súplica

Posted by Antonio on sábado, setembro 06, 2008 in ,
Restitua-me a essência que perdi Senhor : é esta a minha súplica. Porque embora a minha história transmita a verdade, e só a verdade, não transmite a essência da verdade ( vejo isso claramente, não precisamos de fingir que se passa de outra maneira). Para contar a verdade com toda a sua autenticidade, precisa de ter uma cadeira repousante e confortável, afastado de toda a dispersão, e uma janela para contemplar o exterior, e em seguida a habilidade de ver as ondas onde há campos e sentir o sol tropical quando faz frio, e na ponta dos dedos as palavras para captar a visão antes que esta se escape. Eu não possuo nenhuma destas qualidades.

0

Cego?

Posted by Antonio on sexta-feira, setembro 05, 2008 in
Para o bem e para o mal: Que espécie de pessoa sou eu, tão serenamente cego face a evidência dos sentidos ?

0

Jogo Do Amor

Posted by Antonio on quinta-feira, setembro 04, 2008 in ,
O jogo do amor é daqueles sem vencedores antecipados, daqueles que vale sempre a pena jogar. Estuda-se o parceiro com um extremismo intímo, convive-se ao ponto de se saber quase tudo sobre o outro: horários, gostos, roupa interior, família, expressões e finalmente conhece-se até os silêncios e os pensamentos. Nunca se ganha sozinho no jogo do amor, é preciso pelo menos dois. Existem trabalhos publicados de jogos de amor com mais de duas pessoas, mas a evidência acumulada é de que raramente têm bom fim. No jogo do amor quase sempre um joga melhor que o outro mas na maior parte das vezes esse é quem perde.

0

Porque está morta

Posted by Antonio on terça-feira, setembro 02, 2008 in
" Como posso eu fazer-te compreender os desejos intensos de obter respostas ás interrogações, desejos sentidos por aqueles que entre nós vivem no mundo da fala ? Será como o desejo que temos ao sentir os lábios que beijamos corresponderem aos nossos ? De outra forma não sentíramos nós satisfação ao depositarmos os nossos beijos nas estátuas, nas estátuas frias de Reis e de rainhas, deuses e deusas ? Por que razão achas que nós não beijamos as estátuas nem dormimos com elas nas nossas camas, os homens com estátuas de mulheres e as mulheres com estátuas de homens, estátuas esculpidas em posturas de desejo ? Pensas que é pelo mármore ser frio ? Deita-te algum tempo com uma estátua numa cama, cobre ambos com mantas quentes e verás que o mármore começa a aquecer. Não. Não é porque a estátua é fria, mas porque está morta, ou antes, porque nunca viveu nem viverá. "

J.M. Coetzee in "A Ilha"

0

Tempo

Posted by Antonio on segunda-feira, setembro 01, 2008 in ,
Seguramente que com o tempo, as nossas memórias, se tornam menos seguras, tal como uma estátua de mármore corroída pela chuva, até já não sermos capazes de lhe reconhecer a forma dada pela mão do escultor. Não é vergonha esquecer: Faz parte da nossa natureza esquecer, assim como envelhecer e morrer. Mas encarada numa perspectiva a longo prazo, a vida começa a perder as suas particularidades. Os seus encantos: Todos os naufrágios se transformam no mesmo naufrágio, todos os náufragos no mesmo naufrago, queimado pelo sol, solitário, coberto com as peles dos animais que "matou" pelo caminho.

Copyright © 2009 Quase Todos Os Sentidos All rights reserved. Theme by Laptop Geek. | Bloggerized by FalconHive.